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Humana

Editora / Lindolf Bell: crítica de arte em Santa Catarina

Organizadora: Daiana Schvartz
Projeto gráfico e editoração: Aline Assumpção
Revisão: Joseana Stringini da Rosa
Lançamento: setembro de 2020
Páginas: 520
Dimensões: 17 x 24 cm
Peso: 0,95 kg
ISBN: 978-65-992233-0-3

Valor: R$ 45,00 (para adquirir este livro, acesse a página da Humana na Estante Virtual, clicando aqui. No campo “Buscar neste vendedor”, digite “Lindolf Bell”).

 


Descrição:

O poeta, galerista e crítico de arte Lindolf Bell (1938-1998) foi uma presença marcante no circuito artístico. Seus trabalhos, seja na literatura com a “catequese poética”, seja nas artes visuais atuando na galeria Açu-Açu ou escrevendo em catálogos e jornais, ainda reverberam constituindo uma importante referência cultural para o século XX em Santa Catarina.

Lindolf Bell: crítica de arte em Santa Catarina é um esforço monumental realizado pela artista, professora e pesquisadora Daiana Schvartz. O livro de estreia da Editora Humana reúne 358 textos de Lindolf Bell sobre artes visuais publicados durante sua atuação como colunista do Jornal de Santa Catarina, de Blumenau, entre os anos de 1972 a 1995.

Nos textos há uma grande variedade de assuntos e abordagens, sendo que a maior parte se concentra nas atividades artísticas que tiveram vínculos geográficos com Santa Catarina, ou pela residência fixa no estado ou pelo intercâmbio a partir dele. São citados os nomes de 378 artistas de Santa Catarina e de 34 cidades. Ao final, o livro apresenta um índice onomástico que facilita a pesquisa sobre cada artista, crítico, galerias de arte e cidades de Santa Catarina citados(as). Bell aborda também as exposições promovidas pela Galeria Açu-Açu, coletivas de artistas catarinenses em diversos espaços expositivos, iniciativas de espaços culturais por todo o estado, reflexões sobre a arte catarinense. Além dos textos críticos de sua autoria, há também entrevistas, traduções, textos de outros críticos e notícias sobre a agenda cultural. Bell aproveitava o espaço que ocupava no jornal para dar visibilidade à cena cultural, para isso também usava de uma linguagem jornalística, abusando das imagens (algumas delas parte do livro), textos curtos e frases breves para uma comunicação mais direta.

Este livro foi “Contemplado no Edital nº 252/2018” promovido pela Secretaria de Cultura da Prefeitura Municipal de Chapecó.


Conheça o livro:

Assista aqui um clipe com Daiana Schvartz falando sobre o processo de pesquisa e organização do livro.

Aperitivo de Lindolf Bell organizado Daiana Schvartz baixe aqui as primeiras páginas do livro.


Resenha:

Lindolf Bell – despir a crítica

do reino da indiferença
nada sei
Também não visto
as roupas das diferenças

(Lindolf Bell, O código das águas)

Lindolf Bell nos deixou há 22 anos. De lá pra cá sua produção em poesia tem recebido ampla investigação pelo meio acadêmico e editorial catarinense. Todavia, o poeta teve atuação decisiva no circuito artístico em Santa Catarina, estado onde atuou como galerista, crítico de arte e marchand por três décadas. Sob essa segunda atuação, porém, recai uma lacuna historiográfica e investigativa que Lindolf Bell: crítica de arte em Santa Catarina visa sanar. Em 520 páginas, intercaladas com rica seleção de fotografias de época, a publicação pela Editora Humana, apresenta o resultado da imprescindível pesquisa de arquivo realizada pela organizadora do volume, Daiana Schvartz.

O grande mérito da edição é a recuperar a atuação de Bell na crítica de arte em Santa Catarina, entre 1972 e 1995, através do acesso que confere a futuros pesquisadores, historiadores e apreciadores da arte da totalidade das matérias assinadas por Bell no Jornal de Santa Catarina. A publicação se origina na pesquisa do acervo do Arquivo Histórico José Ferreira da Silva. Desse arquivo esquecido por tanto tempo, Schvartz resgatou de forma efetiva, com seu gesto de pesquisadora e editora, o entendimento do próprio poeta sobre os arquivos. Aqui, a pesquisa em artes visuais aproxima-se da prática da poesia. Como bem menciona a autora nas palavras de Bell que abrem o volume, a poesia pode ser entendida como um “Fixar o espaço, fixar o tempo. Retirar do mundo vivo o material perecível, transformando-o em arquivo, mas arquivo vivo, arquivivido.” Ora, é o arquiviver que, em movimento de resgatar, avaliar, disponibilizar, organizar e publicar permitiu a Schvartz reviver o arquivo de Bell, o tornado vivo para nossa própria leitura. O arquiviver, afinal, se inscreve no devir da significação que atribuímos aos textos, à arte, à vida.

Já na apresentação de Lindolf Bell: crítica de arte em Santa Catarina identificam-se vários méritos da pesquisa e edição, que vão além do simples situar as críticas de Bell no tempo e no espaço. Pesquisadora há vários anos também da atuação de Elke Hering, Schvartz possui um entendimento único da maneira como os textos de crítica de arte de Bell se inscrevem no panorama mais amplo de sua atuação frente à Galeria Açu-Açu, de sua relação com a poesia, bem como do protagonismo de Elke Hering nas iniciativas que culminaram na atuação de Bell à frente da galeria e no jornal em estreita articulação com esta. Ainda que não caiba em uma apresentação uma investigação mais complexa destas questões, tal cuidado da pesquisadora sinaliza o olhar atento que será necessário da parte dos pesquisadores que venham a aprofundar no futuro as investigações sobre a atuação de Bell nas artes visuais a partir dessa publicação. Afinal, Schvartz situa a produção de Bell de forma crítica, escapando do simplismo com que muitas vezes é abordada a relação entre arte e vida nas artes visuais.

Nesse sentido, a apresentação faz jus ao cuidado que devemos ter ao lermos as críticas de Bell. Nota-se nas críticas assinadas por ele algumas características essenciais do crítico-poeta tais como a preocupação em sensibilizar os leitores para a importância da arte enquanto elemento essencial do humano; concepção cara ao maior de nossos críticos de arte, Mário Pedrosa. Tal traço da arte se alia aos esforços de expressão de si e de comunicação com o outro, na constituição de uma complexa equação fundamentada na premissa da necessidade imperativa – e atávica – de uma subjetividade compartilhada que recuperaria a esperança em dias melhores. A esperança na vida capaz de sobreviver às tragédias de toda ordem, que insistem em nos lembrar da constância da morte na vida. Mas, este homem de seu tempo possuía preocupações situadas por vezes além de seu tempo na teoria das artes visuais brasileiras da maneira como as conhecemos hoje. Nota-se sua preocupação com a valorização da produção também daquelas vertentes e artistas que se distanciam do ideário europeu de ordem renascentista. Percebe-se a preocupação em valorizar não somente os grandes nomes da história da arte, mas também os artistas autodidatas, o artesanato, as produções de raiz africana ou indígena, ainda que o crítico carecesse de um conhecimento mais aprofundado e sistematizado sobre as teorias da arte. Nem por isso devemos deixar que tal lacuna diminua o reconhecimento de seu esforço em sensibilizar o público para a diversidade das expressões artísticas, nem de sua atuação incansável para que o universo da arte e da cultura se tornassem mais acessíveis a todos. Questões como estas, além de muitas outras que ainda precisam ser localizadas, poderão ser percebidas na leitura minuciosa dos textos que constituem essa edição que contribui também de forma efetiva para os estudos sobre a história da crítica de arte no Brasil.

A cuidadosa edição garante destaque também para os documentos visuais e fotografias do período, o que constitui uma obra de agradável apreciação para os interessados pelas Artes Visuais e pela carreira e persona de Lindolf Bell. Organizada cronologicamente, com índices de data das matérias, índice de imagens e índice onomástico, constitui referência fundamental para pesquisas futuras sobre essa atuação, que virão certamente a preencher a lacuna historiográfica das artes visuais em Santa Catarina no que diz respeito à constituição, personagens e atores de seu circuito artístico. A publicação nos relembra também de outra preocupação constante de Bell; a necessidade de que o estado mantenha políticas públicas que permitam a constituição e manutenção de acervos sobre a atuação e produção de seus artistas, bem como de fomento a pesquisas voltadas ao estudo e preservação de tais acervos, permitindo que os mesmos sejam sempre novamente revividos. Bem sabia o poeta, essa possibilidade sustenta o viver nas diferenças, assim como o significar enquanto perpétuo devir.

Ana Lúcia Beck (Associação Brasileira de Críticos de Arte/SC).


Sobre a organizadora:

Daiana Schvartz é doutora em Artes Visuais pelo programa de Pós-Graduação em Artes Visuais do Instituto de Artes da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). É docente de Artes do Instituto Federal de Santa Catarina – Campus São Carlos. Em 2018, publicou o livro Elke Hering: Crítica, Circuito e Poética, pela editora Liquidificador. É artista visual, curadora da Galeria Humana e membro do conselho editorial da Editora Humana. (crédito da foto: Leonardo Santos)