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Humana

Loja / Negro

Para adquirir este livro, acesse a página da Humana na Estante Virtual, clicando aqui. No campo “Buscar neste vendedor”, digite “Negro”.

Por que ler?

Porque Cruz e Sousa é um dos maiores poetas que já pisaram sobre este mundo racista, sendo considerado um dos maiores poetas simbolistas ao lado de nada mais, nada menos, do que Stéphane Mallarmé e Charles Baudelaire. Porque a seleção de poemas que abordam ou se debatem com a questão racial, proposto pela professora Zilma Gesser Nunes da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), implode de vez com o velho e batido argumento de que Cruz e Sousa seria um “poeta negro com alma branca”. Ao longo dos poemas e dos textos em prosa selecionados, sentimos a força colossal que Cruz e Sousa dispendeu para sustentar seu trabalho literário em meio a uma plêiade de escritores brancos que na maior parte das vezes o desprezava simplesmente por considerarem ser impossível um homem negro ser capaz de criar versos.

Segundo a organizadora: “Esta separata da obra do escritor configura uma mostra da forma como o poeta tratou o negro em sua produção, seja em sua condição de escravo, em cenas de dor e humilhação, seja na condição de poeta emparedado por uma sociedade preconceituosa, seja nos textos que evocam a sensualidade africana, a beleza e a volúpia dos prazeres carnais (…) oferecendo ao leitor uma fonte de pesquisa   que permite o contato com textos comprometidos com sua raça, em defesa de seus irmãos de sangue”.

Curiosidade:

Surpreendentemente, o livro encontra-se na lista do Enem 2020 da Universidade Federal de Santa Catarina e também da Universidade Federal da Fronteira Sul.

Trechos:

“DOR NEGRA

Sanguinolento e negro, de lavas e de trevas, de torturas e de lágrimas, como o estandarte mítico do Inferno, de signo de brasão de fogo e de signo de abutre de ferro, que existir é esse, que as pedras rejeitam, e pelo qual até mesmo as próprias estrelas choram em vão milenariamente?! Que as estrelas e as pedras, horrivelmente mudas, impassíveis, já sem dúvida que por milênios se sensibilizaram diante da tua Dor inconcebível, Dor que de tanto ser dor perdeu a visão, o entendimento de o ser, tomou decerto outra ignota sensação de Dor, como um cego ingênito que de tanto e tanto abismo ter de cego sente e vê na Dor uma outra compreensão da Dor e olha e palpa, tateia um outro mundo de outra mais original, mais nova Dor.”

 

“DA SENZALA…

De dentro da senzala escura e lamacenta
Aonde o infeliz
De lágrimas em fel, de ódio se alimenta
Tornando meretriz

A alma que ele tinha, ovante, imaculada
Alegre e sem rancor,
Porém que foi aos poucos sendo transformada
Aos vivos do estertor…

De dentro da senzala
Aonde o crime é rei, e a dor – crânios abala
Em ímpeto ferino;

Não pode sair, não,
Um homem de trabalho, um senso, uma razão…
E sim um assassino!”

Ficha técnica: