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Loja / Poética

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Por que ler?

Ana Cristina Cesar desfilou uma poesia marcada pela presença de sua própria experiência como mulher nos anos 1970, numa escrita intimista marcada pela coloquialidade. Autora fundamental para a compreensão da poesia brasileira contemporânea. Resistiu até onde pode, depois se jogou do sétimo andar, morrendo aos 31 anos de idade, com uma obra já construída.

Este livro é uma reunião de quase todos os livros de Ana Cristina Cesar, o que o torna indispensável em qualquer biblioteca. Nele se encontram: “Cenas de abril”, “Correspondência completa”, “Luvas de pelica”, “A teus pés”, “Inéditos e dispersos”, “Antigos e soltos”, que eram livros fora de catálogo há décadas. Além disso, esta edição está enriquecida por uma seção de poemas inéditos, um posfácio de Viviana Bosi e um farto apêndice. A curadoria editorial e a apresentação couberam ao também poeta, grande amigo e depositário, por muitos anos, dos escritos da carioca, Armando Freitas Filho.

Sinopse: Ana Cristina Cesar deixou em sua breve passagem pela literatura brasileira do século XX uma marca indelével. Tornou-se um dos mais importantes representantes da poesia marginal que florescia na década de 1970, justamente pela singularidade que a distanciava das “leis do grupo”. Criou uma dicção muito própria, que conjugava a prosa e a poesia, o pop e a alta literatura, o íntimo e o universal, o masculino e o feminino – pois a mulher moderna e liberta, capaz de falar abertamente de seu corpo e de sua sexualidade, derramava-se numa delicadeza que podia conflitar, na visão dos desavisados, com o feminismo enérgico, característico da época. Entre fragmentos de diário, cartas fictícias, cadernos de viagem, sumários arrojados, textos em prosa e poemas líricos, Ana Cristina fascinava e seduzia seus interlocutores, num permanente jogo de velar e desvelar. Dos volumes independentes do começo da carreira aos livros póstumos, a obra da musa da poesia marginal – reunida pela primeira vez em volume único – ainda se abre, passados trinta anos de sua morte, a leituras sem fim. “Ana C. concede ao leitor aquele delicioso prazer meio proibido de espiar a intimidade alheia pelo buraco da fechadura. Um dos escritores mais originais, talentosos, envolventes e inteligentes surgidos ultimamente na literatura brasileira.” – Caio Fernando Abreu, 1982 “Um texto ultrassintético, desdobrável em muitas leituras, mas nunca esgotável. Eu sou apenas um eterno deslumbrado com a poesia, a prosa e a pessoa da carioca.” – Reinaldo Moraes, 1982 “Entre Ana e o texto, entre Ana e a vida, havia a elipse, o prazer do pacto secreto com seu possível interlocutor. A isso ela chamava ‘páthos feminino’. Disso, ela fez seguramente a melhor e a mais original literatura produzida dos anos 1970.” – Heloisa Buarque de Hollanda, 1984 “Ela não foi – ela fica – como uma fera.” – Armando Freitas Filho, 1985 “Ana Cristina Cesar deixou uma obra poética absolutamente singular no panorama da literatura brasileira do século XX.” – Joana Matos Frias, 2005 “Ana Cristina, assim como outros poetas de sua geração, debate-se com o agora.” – Viviana Bosi, 2013

Trechos

Dias não menos dias

Chora-se com a facilidade das nascentes
Nasce-se sem querer, de um jato, como uma dádiva
(às primeiras virações vi corações se entrefugindo todos
ninguém soubera antes o que havia de ser não bater
as pálpebras em monocorde

e a tarde
pendurada no raminho de um
fogáceo arborescente
deixava-se ir
muda feita uma coisa última.

Ficha técnica