Humana

Editora / Vicente Morelatto: histórias de um autor e seu livro

Título: Vicente Morelatto: histórias de um autor e seu livro
Autor: Fernando Vojniak
Capa, projeto gráfico e editoração: Aline Assumpção
Revisão: Zulma Neves de Amorim Borges
Coordenação da coleção Biografemas: Ricardo Machado
Coordenação editorial: Fernando Boppré
Lançamento: 9 de março de 2022
Páginas: 146
Peso: 180g
Dimensões: 18 x 14 X 1cm
ISBN: 978-65-992233-4-1

Preço de capa: R$ 35,00
Preço com desconto de lançamento: R$ 30,00 (para adquirir clique aqui)


Lançamento de Vicente Morelatto: histórias de um autor e seu livro, de Fernando Vojniak, da Editora Humana, aconteceu no dia 9 de março, às 19h. Para assistir o registro da transmissão, clique aqui.

A live contou com a presença do autor, Fernando Vojniak, mediação de Fernando Boppré e Ricardo Machado. Contaremos ainda, com a participação especial de Carol Passos e Stefani Ceolla, que conversarão conosco sobre o Posfacio Podcast.

O quarto livro da Editora Humana faz parte da Coleção Biografemas que apresenta ensaios biográficos a respeito de artistas, cientistas, filósofos, educadores que, por algum motivo, hoje se encontram esquecidos ou afastados do cânone artístico e intelectual.

Este livro foi um projeto selecionado pelo Prêmio Elisabete Anderle de Apoio à Cultura – Edição 2020, executado com recursos do Governo do Estado de Santa Catarina, por meio da Fundação Catarinense da Cultura.


Sinopse:

Vicente Morelatto, nascido na cidade de Estrela, RS, em 1928, viveu em Santa Catarina, na Linha Bento Gonçalves, comunidade rural de Chapecó, hoje pertencente ao município de Cordilheira Alta. Foi professor primário e escreveu um poema em sextilhas, ao modo da poesia de cordel. O objeto de seu poema: o trágico linchamento de quatro pessoas, ocorrido em outubro de 1950 na então pequena cidade interiorana de Chapecó. O poema História do incêndio da igreja de Chapecó e o linchamento de quatro presos foi publicado no formato de um livreto impresso, um pouco antes de seu falecimento em 9 de março de 1954. O jovem, professor e poeta partiu cedo, antes de completar 26 anos, mas dedicou parte de uma vida breve em favor da corajosa poesia.

Ao ensaiar uma biografia não apenas de Vicente Morelatto, mas também uma biografia de seu livro, Fernando Vojniak discute teorias e metodologias da história, da biografia e da história dos livros, sem deixar de debater a complexidade imposta àqueles que se dedicam a escrever histórias de autor e obra, criador e criatura. Por isso, os leitores também encontrarão aqui uma história da pesquisa e dos encontros do autor com essa complexidade ou com os paradoxos da escrita da história. Ao final, os textos que compõem o livro resultam num conjunto de histórias de um pesquisador e suas pesquisas e de um autor e seu livro apresentadas na forma de um biografema.


Sobre o autor

Fernando Vojniak é Doutor em História pela UFSC e Professor Associado da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), Campus Chapecó. É autor de “O império das primeiras letras” (Appris, 2019) e organizador das coletâneas “História e linguagens: memoria e política” (Paco, 2015) e “Cultura escrita no Sul do Brasil: estudos de história intelectual e das correspondências” (Argos, 2021), esta última em parceria com Ricardo Machado.


Saiba o que já foi dito sobre o livro:

Resenha
Vicente Morelatto e nós: o alcance de um gesto poético, por Cassiano Mignoni*

Qual o impacto de um livro? Especificamente de um livro de modestas medidas, com 15,5 cm de altura por 11,5 cm de largura e 32 páginas escritas por Vicente Morelatto em 1954? Sobretudo, quais as dimensões que a escrita pode provocar? Estas são algumas das indagações que levaram Fernando Vojniak – historiador e professor da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), – desenvolver a pesquisa que se materializou no livro “Vicente Morelatto: histórias de um autor e seu livro” (2022), publicado recentemente pela Editora Humana de Chapecó/SC.

O livro de Fernando Vojniak desarquiva a história de Vicente Morelatto, professor e poeta, que morreu subitamente aos 26 anos de causas suspeitas alguns dias antes de seu livreto ficar pronto, intitulado História do incêndio da igreja de Chapecó e o linchamento dos quatro presos. Morelatto, como descreve Vojniak, iniciou a elaboração das 120 estrofes alguns meses após o linchamento dos quatro acusados de incendiar a igreja de Chapecó em outubro de 1950 e finalizou apenas em 1953, sendo impresso em 1954. A pesquisa nos conta que os exemplares do livreto foram recolhidos pelas autoridades locais alguns dias depois do início de sua circulação entre a população, restando alguns pouquíssimos exemplares que o historiador rastreou durante a pesquisa.

Ao retomar a história de Vicente Morelatto e seu livro, Fernando Vojniak nos apresenta uma metodologia que nos ajuda a compreender os caminhos possíveis da elaboração do livro de Morelatto, dialogando com outros autores, como Jovani Santos que realizaram percursos investigativos semelhantes sobre o poeta. Além disso, Vojniak nos leva para o universo literário desde a invenção da imprensa no século XV à poesia sul-americana para analisar as influências na obra de Morelatto. O historiador nos serve um banquete teórico da pesquisa durante os devaneios narrativos e diálogos com pessoas próximas, elucidando ao leitor os caminhos que o pesquisador seguiu para apresentar Vicente Morelatto e seu poema. As interlocuções narradas por Fernando compõem a dimensão do alcance da obra publicada há 68 anos.

Entre os seis capítulos de Vicente Morelatto: a história do autor e seu livro, Fernando Vojniak transita entre o processo da pesquisa, seu contato com a história do linchamento e de Morelatto, e dialogando com as fontes históricas. Estas últimas integram a publicação com ilustrações fotográficas do exemplar original de 1954, além de documentos pessoais e fotografias do poeta. Mais do que trazer respostas sobre a vida de Vicente Morelatto e seu livro, Vojniak nos convida a pensar sobre o alcance do gesto poético que ainda ressoa sobre Chapecó, à qual não conseguiu lidar com seus traumas.

Assim revisitamos a primeira indagação desta resenha: Qual o impacto do livro? É confrontar a realidade e dizer o que ela não conseguiria ter dito por seus próprios meios? É colidir com o silêncio e reconstruir as ruínas que surgiram deste encontro? O livro de Vicente  Morelatto, como demonstra Fernando Vojniak na pesquisa, é a reconstrução das ruínas da história do poeta e de todos nós que defrontamos com os episódios do linchamento de Chapecó ou com as diversas violências que a História oficial tenta apagar. Pois, a melhor maneira de lidar com os traumas é permitir acesso amplo aos “escombros” da História.

É urgente e corajosa a publicação de Vicente Morelatto: a história do autor e seu livro de Fernando Vojniak pela Editora Humana, tão quanto poderosa é a sua leitura. É um convite ao trânsito entre a história de Vicente e de todos nós.

* Cassiano Mignoni é historiador formado pela Universidade Federal da Fronteira Sul – Campus Chapecó.


Sobre a coleção Biografemas

A grafia de uma vida é necessariamente o movimento desta vida. Biografemar é reconhecer na própria escrita a impossibilidade do todo, recusando a ilusão biográfica, escapando dos códigos e conexões lineares do gênero biográfico. Significa caminhar na direção do outro sabendo que não há como seguir pegadas de uma vida, sem deixar suas próprias marcas. Inspirado no conceito de biografema forjado por Roland Barthes, a coleção apresenta breves ensaios biográficos a respeito de artistas, cientistas, filósofos, educadores que, por algum motivo, hoje se encontram esquecidos ou afastados do cânone artístico e intelectual. Interessa-nos tomar a vida como um percurso que conecta a produção artística e intelectual de uma época, experiências daqueles viveram e/ou produziram à margem do seu próprio tempo ou em deliberado confronto com os cânones estabelecidos.