Em cartaz, filme que marcou o cinema independente dos anos 1990
Junho é o mês do orgulho LGBTQIA+ e a Agenda Cultural da Humana Sebo e Livraria se junta a UNA LGTBT Chapecó para a edição do mês do Cineclube Humana. Em cartaz, o filme que se tornou uma referência no cinema independente dos anos 1990, “The watermelon woman”, dirigido por Cheryl Dunye.

O longa-metragem acompanha a busca de Cheryl, uma mulher negra e lésbica aspirante a cineasta, por uma antiga atriz dos anos 1930 conhecida apenas como “Watermelon Woman” (“Mulher da Melancia”). A jovem de 25 anos trabalha numa locadora de vídeos na Filadélfia junto a sua amiga Tamara e é obcecada por filmes dos anos 1930 e 1940 protagonizados por mulheres negras. Ao longo de todos esses anos, assistindo longas dessa época, Cheryl repara que a maioria das atrizes afro-americanas não são creditadas aos papéis. Quando ela termina de assistir um filme intitulado “Plantation Memories”, percebe que uma atriz é apenas mencionada nos créditos como “Watermelon Woman”. Decidida a fazer um documentário sobre essa desconhecida e misteriosa mulher, Cheryl vai atrás de pistas para desvendar a identidade da artista.
A sessão acontecerá no dia 06 de junho, sábado, às 16h, no Café Brasiliano, ao lado da Humana Sebo e Livraria. Após a exibição, debate com Mario Harres e Liliane Araújo, presidente e diretora, respectivamente, da UNA LGBT Chapecó. O filme tem 90 minutos de duração e foi realizado nos Estados Unidos em 1996.
A entrada é franca e as inscrições devem ser feitas pelo formulário abaixo. Temos a capacidade para acolher até 35 pessoas. A classificação indicativa é 18 anos.
Leia o manifesto da 9ª Parada de Luta LGBTQIA+
A 9ª Parada de Luta LGBTQIA+ do Oeste Catarinense, construída há uma década pela UNA LGBT, chega em 2026 como memória, denúncia e invenção de futuro. Dez anos ocupando as ruas de Chapecó e do Oeste de Santa Catarina para afirmar que nossas vidas não cabem no silêncio, na norma ou no medo. Dez anos dizendo que existir é político, amar é político, criar é político e resistir também.
Neste ano, erguemos um chamado coletivo – Diversidade é soberania: Ocupar as ruas e o poder.
Em um tempo atravessado por disputas eleitorais, por um Congresso que tantas vezes se coloca contra os interesses da classe trabalhadora, da juventude, das mulheres, das pessoas negras, indígenas, das pessoas com deficiência e da população LGBTQIA+, afirmamos que democracia não pode existir onde corpos seguem sendo perseguidos, precarizados e descartados.
Por isso ocupamos as ruas. Porque as ruas sempre foram nosso primeiro parlamento, nossa primeira escola, nosso primeiro território de liberdade. Foi nas ruas que travestis, gays, lésbicas, bissexuais, pessoas trans, não binárias e tantas dissidências aprenderam a sobreviver, a criar comunidade e a transformar dor em luta.
Defendemos o fim da escala 6×1. Defendemos salário digno. Defendemos tempo para existir, amar, estudar, produzir cultura, construir comunidade, descansar e sonhar. Porque uma vida reduzida apenas ao trabalho é uma vida roubada. E sabemos que, entre os mais explorados e precarizados do país, estão justamente muitos dos nossos corpos dissidentes.
Do interior do país, da fronteira sul, das beiradas que tantas vezes foram tratadas como margem, lançamos uma pergunta ao Brasil: quem disse que o futuro só nasce nos grandes centros?
É daqui, do Oeste catarinense, que também se reinventa o país.
Das cidades do interior. Dos territórios de fronteira. Dos corpos que criam outras formas de família, de arte, de política e de comunidade. Das pessoas que recusam o medo e escolhem construir fuga, vida e resistência.
A arte queer nos ensinou que criar também é insurgir. Que cantar, dançar, performar, filmar, pintar, ocupar, escrever e amar podem ser atos profundamente revolucionários. Nossas manifestações e performances não são enfeite. São linguagem política. São manifestos vivos. São formas de romper com um Brasil que ainda insiste em excluir para governar.
Por isso, nesta 9ª Parada, também revisitamos os símbolos nacionais. Nossa identidade visual desconstrói a própria bandeira brasileira porque acreditamos que o Brasil precisa ser reinventado e ele nasce de dentro, das veias, das ruas do Brasil mais interiorano. Um Brasil que não seja propriedade de elites, de fundamentalismos ou de projetos autoritários. Um Brasil popular. Negro. Indígena. Trabalhador. Feminista. Anticapacitista. LGBTQIA+.
Um Brasil onde a diversidade não seja tolerada. Seja poder. Seja soberania.
Depois de 10 anos de caminhada, seguimos dizendo: não queremos apenas participar do Brasil. Queremos reconstruí-lo. Refundá-lo.
E vamos fazer isso como sempre fizemos: com arte, com coragem, com organização popular e com nossos corpos ocupando as ruas e o poder.
Diversidade é soberania.
Criar é resistir.
Do Oeste catarinense para o Brasil, seguimos em marcha.
📍 Chapecó
📅 28 de junho de 2026🏳️🌈 9ª Parada de Luta LGBTQIA+ do Oeste Catarinense
Serviço:
O quê: Edição de junho do Cineclube Humana;
Qual filme: “The watermelon woman”, de Cheryl Dunie;
Quando: 06 de junho de 2026, sábado, 16h;
Quanto: Entrada franca;
Onde: no Café Brasiliano (ao lado da Humana Sebo e Livraria, no Centro Comercial Chapecó, rua Marechal Bormann, 82D – Centro);
Mais informações: 49 3316-4566
Formulário de inscrição
Para se inscrever, basta preencher o formulário abaixo: