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Agenda cultural / Termas da desolação

Ficha técnica

Título: Termas da desolação
Autor: Fernando Boppré;
Capa, projeto gráfico e editoração: Tina Merz;
Desenho da capa: Aline Dias;
Revisão: Denize Gonzaga;
Coordenação editorial e da coleção: Fernando Boppré;
Edição: Editora Humana;
Lançamento: 29 de junho de 2024;
Páginas: 80;
Peso: 200g;
Dimensões: 15 x 24 x 1cm;
ISBN: 978-65-981663-6-6;
Preço de capa: R$ 35,00 [pré-venda, envios a partir de 1º de julho de 2024, para adquirir o livro, clique aqui].


Livro Termas da desolação encara a experiência depressiva a partir de registros poéticos.

Termas da desolação é o segundo livro da trilogia da depressão de Fernando Boppré. Após o lançamento de Poço Certo em 2020, que trazia a paisagem litorânea no horizonte, o autor retorna à terra arrasada, desta vez, nas partes altas e interioranas do rio Uruguai, incorporando à poética o elemento das águas fluviais e termais. O volume reúne trinta e um poemas escritos a partir da experiência desencantada da existência. Assim como em Poço Certo, o livro é dividido em três partes: Alegorias da morte, Indisposta e Convalescência junto às águas.

Em Alegorias da morte, escrito durante o período agudo da pandemia, com seres atravessados pelo medo e também pela resistência, surgem imagens como: “Vagalumes na escuridão do regaço. / Um cataclisma se acerca. / Algo vai suceder”. O poema Cirrus e Nimbus é uma litania dedicada à trajetória funambulesca de Cruz e Sousa e sua esposa Gavita: “Cruz partiu aos 37 anos como Van Gogh e Rimbaud / apesar da interdição do poder supremacista catarinense / compulsivo escreveu obra que é testemunho da Dor / prova de resistências extremas seus Tesouros Imortais”. Apesar de ter sido gestado às margens do rio Uruguai, em Águas de Pratas, na cidade de São Carlos, no oeste de Santa Catarina, o livro possui referências à história do Vale do rio Itajaí-Açu, da fricção registrada entre imigrantes alemães e o povo LaKlãnõ: “O que são estes olhos de gelo por cima dos olhos? / perguntaram-se os LaKlãnõ, mirando Eduardo Hoerhann / diante da ilustre – porém sórdida – audiência branca / que se reunira para ver Koricrã reencontrar o pai / cacique Kusúngu, anos após ter sido sequestrada pela gangue de Martinho Bugreiro que chacinava / e propagava o terror desde o Alto até o coração do sangrento Vale do rio Itajaí-Açu”.


Fernando escreve com a terra em erosão, mas acredita que é justamente dali que se abre um caminho para frutificar. O poema sabe que deve frutificar depois da dor, depois da erosão.” — trecho do prefácio de Ibriela Bianca Sevilla.


A vivência do autor como curador de artes visuais, surge em passagens como na segunda parte intitulada Indisposta. O poema A maldita humildade de Victor Meirelles começa com uma rebelião contra a história da arte da branquitude: “Dizem que Victor Meirelles era de origem humilde, laborioso / mas é possível deduzir que o Antônio do anúncio é o pai de Victor Meirelles / t-r-a-f-i-c-a-n-t-e d-e e-s-c-r-a-v-o-s / vendia carne negra recém-chegada / da capital do império escravocrata”. A cidade de Chapecó, onde atualmente vive e trabalha Fernando Boppré, aparece no livro após vórtices de neblina se dissiparem: “Manhã límpida gélida e dominical / Famílias onde não me encaixo se reúnem / Em torno da erva-mate do fogo do som da gaita / A embalar a farsa ou o drama / sei que não há espaço para mim / Em grupos forjados a ferro e sangue”.


Os poemas de Boppré demarcam o território aquático por onde escorrem e alagam.” – trecho do prefácio de Ibriela Bianca Sevilla.


Por fim, na seção final do livro, Convalescência junto às águas, desemboca-se em uma estação de águas termais – Águas de Pratas – cujo cenário é composto por terras alagadiças já que as águas afloram desde o chão, em tempos de cheia derramam-se das bordas dos afluentes e do próprio rio Uruguai. A mata verde retorna à cena, com a fauna e a flora, como no poema Gralha-do-mato: “Agora é você / quem me acompanha / no vale das águas / ser que comove / meu ouvido / pela alegria / cuja presença / substituiu o Urutau / lúgubre que se foi / no prelúdio invernal”. Esta terceira parte do livro coincide com o amansamento do estado depressivo e faz brotar a beleza: “A tarde vence as brumas / as crianças se aventuram / nas galerias por onde / corre a sanga gélida e / a alegria infantil”.


Lançamentos

Chapecó – 06 de julho, às 15h, na 2ª Festa Literária de Chapecó, com leitura pública dos poemas em companhia da atriz e diretora teatral, Inajá Neckel (UFSM), e da professora e pesquisadora da área de linguística, Camila Caracelli (UFFS).

Florianópolis – 13 de julho, às 10h, na Helena Fretta Galeria de Arte, o autor realizará uma leitura pública dos poemas.


Sobre o autor

Nascido em Florianópolis, atualmente vive entre São Carlos e Chapecó (SC) onde mantém a Humana Sebo e Livraria. Mestre em História Cultural pela Universidade Federal de Santa Catarina, curador, foi diretor do Museus Hassis e chefe de serviço do Museu Victor Meirelles (IBRAM/Ministério da Cultura). É autor dos livros Poço Certo (Caiaponte, 2020) e Sándor Lénárd no fim do mundo (Humana, 2022). Diretor e roteirista do curta-metragem “Pequenos desencontros” (2014), baseado na obra de Silveira de Souza. Foto: Denis Cardoso.


Publicado pela Editora Humana, o livro tem o preço de capa de R$ 50,00. Por ter sido contemplado no Edital de Fomento e Circulação das Linguagens Artísticas de Chapecó 010/2023 – Edital das Linguagens: Edição 2023, a primeira impressão do livro terá o custo reduzido de R$ 35,00.